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Sobre o Projeto

A maternidade é, sem dúvida, um divisor de águas na vida da mulher.

Uma experiência que faz questionar verdades, conceitos, prioridades, comportamentos, pensamentos. Para as mulheres em situação prisional não é diferente e a maternidade pode ser vista como um grande estímulo à ressocialização. Nos presídios femininos, ao contrário dos masculinos, as visitas são escassas, com poucas aparições dos companheiros e o contato com o mundo exterior é muito focado nas figuras das mães e dos filhos. Um ciclo de amor que não se rompe nem atrás das grades.

Laços que começam a ser formados em cerca de nove meses, mas que duram a eternidade. Para mostrar a maternidade real e a força dessa relação em qualquer lugar que aconteça, o projeto Retratos de Mãe, idealizado pela fotógrafa Andréa Leal, fotografou nove mulheres grávidas ou com filhos bebês ou recém-nascidos vivendo em regime prisional. A iniciativa faz parte das ações do Instituto Luz Natural, associação civil de caráter filantrópico que tem o objetivo de fazer da fotografia um instrumento de valorização e mudança social.

Pernambuco tem atualmente cerca de 1.400 mulheres em situação prisional. Na Colônia Penal Feminina do Recife seis das detentas estão gestantes e quatro mulheres estão cumprindo pena no berçário da unidade, com seus bebês até seis meses de vida. Em 2019 a Coordenadoria da mulher do Tribunal de Justiça de Pernambuco, através da Desembargadora Daisy Maria de Andrade Costa Pereira, compartilhou o desejo de registrar o momento das gestantes encarceradas e da Secretaria Estadual de Ressocialização (Seres) o Retratos de Mãe visitou a Colônia Penal Feminina, no Recife, para fazer um trabalho de cunho documental, um ensaio produzido para que essa mulher se sinta cuidada e amparada, numa maneira de ressignificar a maternidade que está vivendo. Uma tentativa de diálogo através da arte, para que ela olhe para si, para sua história e perceba os instantes mágicos que a maternidade proporciona. Instantes registrados e guardados sempre na memória.

As imagens em preto e branco receberam o tratamento especializado do fotógrafo e designer gráfico mineiro Henrique Ribas. Uma intervenção artística de efeitos que confere uma dose extra de emoção, dramaticidade e delicadeza às obras.

Com a proposta de compartilhar essas histórias de maternidade fortes e reais e suavizar o estigma sobre as mulheres encarceradas, uma exposição virtual está aberta ao público, em respeito ao isolamento social motivado pela pandemia do Covid-19. Uma proposta de dialogar sobre esse amor incondicional e dar a estas personagens a oportunidade de contar um pouco de sua história, apresentando à sociedade não as presidiárias, mas mães e mulheres com chances de ressocialização e reinserção social.

Com isso, o projeto toma como missão colaborar para esta mudança de paradigma tão importante e necessária.

O registro do protagonismo dessa mulher ganha o intuito de despertar a sociedade para a empatia, fugindo do preconceito e da marginalização.

Autorizado pelas fotografadas e pelo Estado, as fotografias dão a cada família a oportunidade de guardar a recordação deste momento tão especial. A emoção que essas imagens desperta é a essência de todo o projeto. É somente por isso que ele foi idealizado. Fazer com que todos apreciem as imagens e enxerguem todo o amor envolvido nessa relação, alheia à situação que a mulher está vivendo, fazendo com que a sociedade repense a ideia estereotipada sobre pessoas encarceradas. Em cada pessoa tocada por essas imagens estaremos plantando a possibilidade de enxergar o mundo com um olhar mais humano, tão necessário em nossa sociedade.

andrea

Sobre a Fotógrafa Andréa Leal

Henrique Ribas

Sobre 0 Fotógrafo Henrique Ribas

Amanda Correia de Sá

tem 8 filhos: Raduan, Cleber, Leonardo, Artur, Emerson, Alice, Maria e Luana. Os dois mais velhos moram com a avó. Os outros moram separados, com os respectivos pais.

“Essas fotos são o amor. Quando meu filho estiver maior, ele vai amar essas fotos, mas não vou dizer que foi aqui. Ser mãe é ótimo, amo ser mãe, mas é difícil pra mim porque são oito. Ser mãe aqui dentro é muito difícil. Criar filho aqui dentro desse lugar é horrível. Mas vou sair com outra cabeça, diferente, outra pessoa. Sonho uma vida melhor para o meu filho, que ele estude, seja um bom filho, um bom marido, um bom pai, bom tudo. Quando sair daqui sonho pra mim tudo de bom, mudar, outra cabeça, ser outra pessoa. Não quero mais essa vida para mim. Eu amo meus filhos, amo minha mãe com todo meu coração, por tudo que ela faz por mim, eu agradeço” 

Carla Karolyne dos Santos

Cristiana Maria da Cruz

26 anos, grávida de 3 meses (se for menino vai se chamar Mateus e se for menina, Maria Eduarda. Já é mãe de Giovana de sete anos e Yasmin, de quatro.

“Sou uma privilegiada em tirar essas fotos. Quando meu filho crescer e ver essas fotos, vai sentir orgulho da mãe. Pelas fotos, não por estar nesse lugar. Não sei se ela vai sentir orgulho ou só decepção por estar nesse lugar. Estar grávida aqui dentro e difícil. Eu me arrependo muito. Sinto falta das minhas filhas. O que eu fiz, eu sabia que estava sendo errado, tanto que a última vez que eu peguei uma remessa (de drogas) eu disse pra mim mesma: essa é a última vez. E terminei caindo aqui dentro. Foi a primeira vez que fui presa, mas Deus sabe porque fez isso. Já cheguei grávida na prisão. Essa gravidez mudou muita coisa na minha vida. Eu penso de outro jeito. Sonho em ter uma vida muito melhor e sair daqui pra ficar os três juntinhos. Vou fazer de tudo pra dar o melhor pra eles e mostrar que não vou cair aqui dentro mais. Ser mãe pra mim é tudo na vida. Eu amo meus filhos. Sonhava em ser mãe de 3 filhos. Mas acho que minha mãe não me ama. Ela disse que não ia me ver aqui. Mas minha sogra é uma mãe pra mim. Está comigo lado a lado. Jamais faria com minhas filhas o que minha mãe faz comigo.

Edvânia da Conceição Costa de Lira

tem 30 anos, tem 5 filhos: Vitória Leonora, Vitor Ruan, Cauan Eduardo, Bruno Felipe e Enzo Gabriel.  Os quatro maiores moram com a mãe, como vai acontecer com o caçula.

Sonho para meus filhos um futuro diferente, melhor do que o meu. No futuro, eu quero tentar mudar pelo menos 80% porque 100% ninguém muda mesmo. Meu filho é minha vida. Minha mãe é minha rainha, meu tudo. Até então eu nem sabia o que era ser mãe. Essas fotos significam muita coisa. Meu filho vai achar bonito e querer saber de onde foi e eu vou explicar. Ser mãe é ser tudo”.

Fernanda Maria de O. Silva

Gisele Chagas Moraes

24 anos, mãe de Ruanny (bebê), Ruan e Ruavini, de 9 anos e 5 anos, que moram com o marido, cadeirante.

 "Ser mãe pra mim é muita coisa. A chegada dela fez muita diferença na minha vida, interfere em quem eu sou hoje. Me arrependo de muitas coisas. Se eu tivesse ela, tinha pensado e não estava nesse lugar com a minha filha. Sonho eu ela seja uma pessoa diferente, que vai estudar, trabalhar pra me ajudar com o pai dela que é cadeirante. Essas fotos significam muita coisa pra mim. Minha filha não está na rua para poder tirar fotos e aqui não tem celular pra que eu possa fotografar. Quando ela crescer, não vou dizer a ela que foi aqui nesse lugar. Queria dizer que amo muito ela e meus dois filhos, que amo muito minha mãe e que ela me perdoe por tudo que eu já fiz nessa vida”.

Lathoa Elaliane Barbosa Silvino

32 anos, é mãe de Arthur (bebê), Caíque de 6 anos e Heitor de 2 anos. Um mora com a mãe e outro com a sogra.

Quando sair daqui sonho em juntar minha família de novo, tá tudo espalhado. Desejo aos meus filhos que não sejam iguais à mãe, que sejam homens de bem. Se depender de mim, é o que os três vão ser. O que a gente mais deseja para o filho da gente é isso: que não entre nessa vida. Ser mãe aqui dentro é um inferno. Aqui a gente pensa mil e uma coisas. Fica com medo do filho da gente pegar uma doença... Queria dez mil vezes estar lá fora. Não imaginava ter esse registro de fotos do meu bebê aqui. Dos outros dois eu fiz fotos na rua. Agora, eu ter esse registro é bom demais. A maternidade mudou tudo na minha vida: o pensar, o agir. Hoje penso mais antes de agir. A chegada de Artur me mudou mais. Uma coisa que nunca imaginei foi ter um filho na cadeia. A gravidez foi difícil demais, muitos aperreios, um começo de aborto, mas ele tá aqui pra contar história. Meu bem mais precioso é a minha mãe. Eu amo aquela coroa, ela é tudo pra mim”.

Maria da Conceição Pereira da Silva

37 anos, tem 8 filhos:  Alana Vitória (que está com ela na prisão), Cauan Davi, Maria Beatriz, Everton Gabriel, Maria Gabriela, Yasmim, Vitória Bianca e Tália Manuele. Os demais moram com a filha mais velha e o pai dela.

“Essas fotos significam felicidade. Quando Alana estiver grande e ver essas fotos, ela vai sentir alegria. Ela só vive alegre. Eu vou explicar a ela porque eu estava aqui: porque eu errei, fiz coisa errada, mas mudei, como eu quero mudar. Deus está me vendo. Ser mãe é ser tudo. Esses meninos são tudo pra mim na minha vida, são a razão do meu viver. Oro todos os dias de joelhos de madrugada por eles. Sonhava em ser mãe. A gravidez de Alana mudou minha vida. Foi uma gravidez que não esperava. Eu não queria porque já tinha sete filhos. Mas no momento que eu vi Alana, fiquei apaixonada e mudou tudo.... Eu estou sendo pra ela o que eu não fui para os outros. E está sendo tudo! Sonho que ela cresça, estude, seja uma pessoa maravilhosa. A primeira coisa que vou fazer quando sair daqui é parar numa igreja, pedir perdão a Deus, vou me ajoelhar para meus filhos e pedir perdão a eles por tudo e arrumar um trabalho. À minha filha mais velha que segurou toda essa barra (cuidando dos irmãos) vou agradecer muito. Ela está sendo uma filha maravilhosa. À Alana (bebê que deve sair do presídio em breve), quero dizer que amo muito ela e vou sentir muita saudade...”

Tamires Maria de Farias